AC/DC levanta São Paulo com rock básico e direto

SÃO PAULO – Uma locomotiva de seis toneladas com as inscrições “666” na extremidade dianteira e “AC/DC” na traseira e com um maquinista demoníaco no comando pôs abaixo o Estádio do Morumbi na noite desta sexta-feira, 27. Não há informações sobre vítimas, mas a locomotiva ficou atravessada no local durante quase duas horas. Para quem não estava no Morumbi, pode parecer que São Paulo presenciou mais um daqueles acidentes que são rotineiros em muitas das metrópoles do globo. Para os cerca de 70 mil felizardos presentes no estádio, a entrada da locomotiva no palco nada mais era do que a conclusão do vídeo de abertura do show de rock mais badalado de 2009, realizado por uma das maiores bandas da história, os australianos do AC/DC.

De volta a São Paulo depois de 13 anos com os irmãos Angus e Malcolm Young nas guitarras, Brian Johnson nos vocais, Cliff Williams no baixo e Phil Rudd na bateria, a banda subiu ao palco com “Rock and Roll Train”, lançada como música de trabalho do álbum “Black Ice”, ateando fogo em uma noite já abafada na capital paulista.

Ao contrário do que previam os meteorologistas, não desabou o temporal prometido e o público, bastante receptivo ao rock básico e direto do AC/DC desde os primeiros acordes, ficou ainda mais sob domínio quando os australianos tocaram logo a seguir as clássicas “Hell Ain”t A Bad Place To Be” e “Back In Black”, faixa do disco homônimo que é o segundo mais vendido em toda a história, perdendo apenas para “Thriller”, de Michael Jackson.

Emendando músicas novas com sucessos do passado, o AC/DC brindou o público com “Big Jack”, “Dirty Deeds Done Dirt Cheap” e “Shot Down in Flames” antes de entrar com a marcante “Thunderstruck”, do álbum “The Razor”s Edge”. Em alguns momentos, a voz rasgada de Brian Johnson dava alguns sinais de desgaste, mas nada que comprometesse a atuação deste cantor de 62 anos de idade. No telão, destaque para o momento no qual Angus Young caminha sobre o piso transparente do palco acompanhado por uma câmera que o filma de baixo, emulando uma sequência do videoclipe de “Thunderstruck”, bastante conhecido da primeira geração MTV.

A música que dá título ao álbum e à turnê, “Black Ice”, antecedeu o blues sacana “The Jack”, freando providencialmente essa locomotiva roqueira chamada AC/DC para o sempre presente strip-tease de Angus Young, encerrado quando ele mostrou sua cueca samba-canção com o logotipo da banda estampado. Mas a redução de velocidade não duraria muito tempo. Aproveitando-se de uma extensão do palco, numa altura baixa em comparação com os de outros shows de mesmo porte, um sino gigante desceu do alto do cenário e Brian Johnson, correndo, lançou-se sobre uma corda para dar as badaladas iniciais da sombria “Hells Bells”, também do álbum “Black in Black”.

O show retomou aceleração desenfreada com as poderosas “Shoot to Thrill”, a nova “War Machine” e “Dog Eat Dog”. Ao contrário do que aconteceu na maior parte dos shows da turnê mais vista no mundo em 2009, o AC/DC deixou de tocar “Anything Goes”, do novo álbum, e passou direto para uma incendiária sequência de suas músicas mais festejadas.

O público foi definitivamente ao delírio – e assim permaneceria até o fim – com “You Shook Me All Night Long”, “T.N.T.”, “Whole Lotta Rosie” e “Let There Be Rock”. Na primeira destas quatro músicas, a felicidade reinou no Morumbi, com todos os presentes pulando e cantando como se fossem crianças perto de seu maior ídolo. Em “T.N.T”, a locomotiva no fundo do palco começou com novos efeitos especiais, soltando labaredas de fogo pela sua parte lateral. Em “Whole Lotta Rosie”, uma imensa boneca de borracha com feições literalmente lascivas cavalgava a mesma locomotiva de seis toneladas.

“Let There Be Rock” encerrou a primeira parte da apresentação com direito a um extenso solo de Angus Young, deixando a impressão de que, enquanto o resto da banda precisava tomar fôlego, o guitarrista seguia inabalável e em alta voltagem. Foi, sem dúvida, o momento de maior catarse do show, com direito a uma plataforma localizada no meio do gramado do Morumbi que elevou o guitarrista alguns metros acima da extensão do palco, apenas confirmando sua condição de maior figura da banda. O final da canção foi marcado por uma grande chuva de papel picado que praticamente fez Angus Young sumir por alguns segundos.

Depois de uma breve pausa para descanso, o AC/DC abriu o bis com “Highway to Hell”, provocando reação do público semelhante ao que se tinha visto na execução de “Black in Black”. Se havia algum mortal no estádio com sintomas de cansaço, a reação a mais este grande clássico do rock foi imediata e unânime.

O AC/DC encerrou o show, como sempre, com “For Those About to Rock (We Salute You)”, com sua tradicional salva de tiros de canhões. A banda agradeceu, retirou-se do palco e uma queima de fogos ainda reteve a atenção do público por alguns minutos antes de a multidão começar a se dispersar com a sensação de ter assistido ao show de uma das maiores bandas de rock da história.

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/geral,acdc-levanta-sao-paulo-com-rock-basico-e-direto,473544,0.htm

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